Alice Hamilton
ALICE HAMILTON (1869-1970)
Berenice Isabel Ferrari Goelzer
(Fonte: “By PDH at Smithsonian Institution and en.wikipedia [Public domain or No restriction], from Wikimedia Commons”)
Alice Hamilton nasceu em 27 de fevereiro de 1869, em Nova York, e faleceu em 22 de setembro de 1970, Hadlyme, Connecticut (EUA). Formou-se em Medicina pela University of Michigan Medical School, Ann Arbor, em 1893. Estudou bacteriologia e patologia na Alemanha (Munique e Leipzig) e fez pós-graduação na Universidade Johns Hopkins, EUA.
Em 1897, mudou-se para Chicago, o que a levou à sua verdadeira vocação: a saúde ocupacional, devido ao fato de ter trabalhado como médica de famílias pobres, em grande parte, famílias de trabalhadores imigrantes europeus.
Alice constatou que os problemas deles iam muito além das questões sociais, envolvendo questões sérias sobre acidentes e doenças, resultantes das péssimas condições de trabalho, assunto de interesse muito limitado nos Estados Unidos da América (EUA), no início do século XX.
Em 1910, Alice teve a oportunidade de liderar a primeira investigação sobre doenças ocupacionais nos EUA, tendo estudado processos utilizando chumbo, arsênico, cianetos e turpentina, bem como a exposição ao monóxido de carbono.
Na sequência ela estudou as intoxicações em fábricas de cerâmica, borracha, munições, explosivos e viscose raiom, entre muitas outras.
Aos 40 anos de idade, Alice já era reconhecida como a principal autoridade em saturnismo do país, fazendo parte de um grupo de especialistas em doenças ocupacionais, tendo sido responsável por importantes teorias da toxicologia industrial, inclusive o clássico livro Hamilton and Hardy's Industrial Toxicology (HARBISON, BOURGEOIS e JOHNSON, 2015).
Ela conduziu estudos sobre muitos agentes, como por exemplo, chumbo, mercúrio, sílica, anilinas, dissulfeto de carbono e gás sulfídrico. Seus estudos e relatórios para o governo norte-americano sobre a altíssima mortalidade entre trabalhadores atuantes em ocupações perigosas, levaram a várias mudanças na legislação, nos níveis estadual e federal.
Alice não se limitou a diagnosticar doenças ocupacionais e investigar suas causas para estabelecer o nexo causal, mas foi além, afirmando que a única solução para prevení-las seria a prevenção primária, o que é exemplificado nesta citação relativa à silicose: Obviamente, a maneira de combater a silicose é prevenir a formação e disseminação da poeira (HAMILTON, 1943, p. 417).
Em 1919, Alice tornou-se a primeira mulher docente no Departamento de Medicina Industrial da Universidade de Harvard. Seu trabalho foi também reconhecido internacionalmente, tendo participado por seis anos, a partir de 1924, no Health Committee (Comitê para a Saúde) da Health Organization (Organização para a Saúde - precursora da Organização Mundial da Saúde), em Genebra.
Em 1987, o National Institute for Occupational Safety and Health (NIOSH, EUA) nomeou suas instalações de pesquisa Alice Hamilton Laboratory for Occupational Safety and Health.
NIOSH também estabeleceu um prêmio anual, denominado Alice Hamilton Award, para reconhecer pesquisas científicas de excelência em saúde ocupacional.
Referências
HAMILTON, Alice. Exploring the Dangerous Trades - The Autobiography of Alice Hamilton, M.D. 1. ed., Boston: Little, Brown and Company, 1943.
HARBISON, Raymon D.; BOURGEOIS, Marie M; JOHNSON, GIffe T. Hamilton & Hardy's Industrial Toxicology. John Wiley & Sons, Inc, 2015.